sexta-feira, março 17, 2017

Um conto.

Tempo quente...

A rua está deserta. Hoje os malandros estão pairando por outras fendas.
O dia foi abafado, ora chovendo, ora fazendo um sol flamejante.

O silêncio da noite é tranquilizador e ao mesmo tempo solitário, o que para alguns soa amedrontador e para outros apenas um vazio cheio de vontades.

O momento atual é de fuga.

Do quê ou de quem, não se sabe ao certo.

Aliás, de quem...

Era pra ser um conto como os belíssimos escritores escrevem pondo um pouco de si mesmos numa estória irreal. Mas, parece que tudo está tão cheio de não ditos que nem aqui há escapatória.

Volta e meia entro nela e falo dela e me envolvo com ela. Como é difícil despregar-me dela. Está em todos os lugares, por onde passo em todos os meus pensamentos, ela está lá.
Com suas confusões, medos e um imaginário absurdamente surreal.
Não, o mundo não gira em torno dela e tudo o que é sobrenatural não existe.
Vamos, caia na real, tenha coragem!

Mexa-se !

Envelhece com uma ingenuidade de menina antes dos 15 anos.
Vive um teatro de um ser que não é ela só pra poder viver e não ser esquisita. Um teatro.

Mergulha nos livros que falam dos outros em épocas e países onde ela nunca ousou sonhar em ir. Séculos atrás para ela é como se fosse hoje.

E sua mente voa enquanto o tempo passa e ela envelhece sem ter histórias para contar.

Coragem!